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Quando a idade deixa de ser um posto e se torna um fardo


Quando a idade deixa de ser um posto e se torna um fardo

O artigo 24º do Código do Trabalho é claro na defesa do direito à igualdade no acesso ao emprego, reforçando que ninguém pode ser “privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever” em função de variáveis como o sexo, o estado civil ou a idade. Mas ainda que assim seja em teoria, na prática a idade pesa quando se trata do mercado laboral e é usada como argumento na hora de escolher os candidatos, mesmo que tal não seja admitido.

Uma discriminação que começa muito antes dos cabelos grisalhos, logo a partir de meados da terceira década de vida. Aos 40, a ideia de que a pessoa está ‘ultrapassada’ é generalizada em vários setores, tornando a tarefa de encontrar um trabalho um verdadeiro desafio. É que, associada à idade está a noção de que um trabalhador mais sénior é mais dispendioso, com os anos de vida e de experiência a serem para muitos sinónimo de ordenados mais elevados, assim como de benefícios acrescidos, ou seja, mais custos para a empresa.

Para quem atravessa a meia-idade e se encontra à procura de trabalho, fica a certeza de que não está sozinho, ainda que esta possa servir de pouco consolo. Os dados do Pordata revelam que, em 2016, 76 mil pessoas com idade entre os 35 e os 44 anos estavam por cá há um ano ou mais à procura de emprego. A partilhar esta situação estavam mais de 95 mil com idade entre os 45 e 54 anos.

Resta, pois, contrariar a perceção de que os trabalhadores com mais idade não são tão capazes ou qualificados como os seus homólogos mais jovens. E há conselhos e dicas que o podem ajudar. 

Tudo começa com o currículo, que não deve conter, por mais tentador que pareça, informação sobre toda a experiência de trabalho do candidato. Joyce Lain Kennedy, especialista na matéria, aconselha a limitar a experiência aos últimos 15 anos quando se trata de um cargo de gestão, aos 10 anos mais recentes para um emprego mais técnico e a cinco anos se o trabalho for na área tecnológica. Depois, considera ainda que a melhor opção não é um CV cronológico, mas antes funcional.

É importante dar ao empregador a ideia de que, no que diz respeito ao ordenado pretendido, o candidato é flexível, mesmo que, no passado, o salário auferido tenha sido muito elevado.

Nas entrevistas, a ênfase deve ser dada aos aspetos positivos. O candidato deve tentar mostrar o seu lado mais bem-disposto e flexível, características que devem ser apoiadas com as suas capacidades e sucessos passados. Os benefícios de contratar um trabalhador mais velho, como o compromisso com uma carreira, a experiência prática, o histórico de sucesso e as expectativas realistas, devem ser também reforçados. Porque afinal, velhos são mesmo só os trapos.

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